Problemas na construção e baixas temperaturas.

O Inverno chegou

 

Segundo o IPMet (https://www.ipmet.unesp.br/), em Bauru atingimos 3,1°C no último dia 6 de Julho, menor temperatura atingida nos últimos 19  anos. E quando temos em extremo de temperatura baixa, que foge de nosso padrão habitual, não é só a gente, animais e plantas que sofrem com isso, também alguns elementos da construção civil,  edificações,  casas, máquinas e equipamentos, inclusive o sistema impermeabilizante.

 

O fator climático

 

O clima da região, define muitos parâmetros de projeto, especificação de materiais, processos e serviços. Inclusive de impermeabilização.

Inicialmente, temos que ter em mente que a temperatura usual de uma região, define e põe parâmetros e requisitos mínimos quanto o projeto, especificações, sistema construtivo, materiais empregados, técnicas, métodos de execução, e inclusive o sistema impermeabilizante.

 

Temperaturas de -10°C no Alaska são perfeitamente normais, já que as edificações de lá assim foram concebidas, mas causariam muitos transtornos aqui para nós, caso tenhamos um período de temperaturas abaixo do normal, simplesmente porquê todo o nosso ecossistema construtivo jamais fora destinado à operar nestas temperaturas.

 

Exemplo de um telhado que é capaz de “escoar” a neve devido à alta inclinação e suportar o peso extra da neve que porventura se acumule ali, não é o nosso caso. Basta uma nevasca, para que a grande maioria dos telhados  nossos simplesmente desabe.

 

A Construção como um todo deve ser concebida, projetada e executada de forma a suportar estas solicitações climáticas. Inclusive a Impermeabilização.
Fonte: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRtl4yEJcdzTWO_LqEe92pJtCq752IQ7sZQ71TMKwGbqe1ZAPagKw


Uma das razões principais de patologias em edificações relacionadas à climas frios é devido a gelividade ou frozen susceptibility. Resumidamente é a degradação, destruição, ou perca das propriedades básicas de um material poroso (como o solo, cimento, concreto, alvenaria), devido à mudança de fase ou a variação do volume específico da água contida nestes poros.  
 

 

A Água

 

A razão básica para isto acontecer: o volume específico do gelo é maior que a da água líquida, (a massa específica do gelo é menor que a água).

Por o gelo ser menos denso que a água, os icebergs flutuam no oceano!


Pelo mesmo motivo, uma garrafa de cerveja, que é basicamente água, se esquecida no freezer, com a redução da temperatura do líquido, vira sólido, expande seu volume, aumentando a pressão interna do vasilhame até estourar a garrafa ou a tampinha.

 

A cerveja congelou! Desespero!
Fonte:https://farm3.static.flickr.com/2687/4407577812_72c2ace629.jpg

 


E ainda há outro “detalhe”, a água tem um “comportamento anormal” de seu volume específico para uma substância pura que é. Ao invés de cair de forma gradual e previsível com o decréscimo da temperatura, tem o ponto de mínimo em 4°C, e abaixo disso, um ligeiro aumento de volume específico entre e 4°C e 0°C, onde finalmente congela e tem outro aumento de volume específico.
 

A Água tem o ponto de máxima densidade à 4ºC.
Fonte: https://4.bp.blogspot.com/-VYzWn7kO43s/WS7WSzSLlfI/AAAAAAAAPDg/uU3nFWbBoqY-sRy_J9uX1xwYTjAl7XqSQCLcB/s1600/COMPORTAMENTO%2BANOMALO%2BDA%2BAGUA.png

 

Este “detalhe” é o que permite que oceanos, lagos e rios não congelem totalmente, mesmo com a superfície congelada e com temperaturas externas extremamente frias, no fundo destes, sempre haverá água líquida à 4°C (que é mais densa), tornando possível a ampla vida marinha.

 

Em frios extremos, a superfície do lago congela, porém não seu interior, que possui água líquida.
Fonte: http://www.geocities.ws/saladefisica5/leituras/lagos31.gif

 

A gelividade, uma patologia da construção relacionada ao frio

 

Saindo do exemplo da cerveja, um problema análogo pode ocorrer nas edificações e suas tubulações hidráulicas, caso estejam em climas frios. Para evitar isto, em locais frios devem ser previstos aquecedores, ou tubulações com sistemas de expansão e drenagem.

 


Com o congelamento, a água em estado sólido ocupa maior volume de quando estava líquida, estourando tubulações.
Fonte: https://fivestarindy.com/stage/wp-content/uploads/2018/12/Frozen-pipe-1-750x420.jpg

 

Placas de aquecimento solar são mais sensíveis ainda, por serem excelentes trocadoras de radiação, numa noite fria e escura, emitem calor por radiação delas para o Espaço (que está bem próximo do Zero Grau Absoluto 0K), aí nem é preciso chegar à 0°C para congelarem a água em seu interior e estourarem. Por este motivo existem sistemas que as protegem disto, como recirculações programadas de água quente do boiler para elas, válvulas de alívio de pressão, e sistemas de drenagem que esgotam a água no interior delas em noites frias.

 

Placas solares também sofrem com o frio.
Fonte: http://s02.video.glbimg.com/x720/5094097.jpg

 

Não somente tubulações, placas solares, e equipamentos  que sofrem.

 

Solos, baldrames e embasamentos, muros de arrimo podem sofrer seriamente com porções que porventura se congelem e expandam, aumentando seriamente a carga imposta sobre eles.

 


A "gelividade", pode gerar cargas extras no solo, estruturas de concreto e alvenaria.
,Fonte: https://www.aquatechwaterproofing.ca/wp-content/uploads/2017/06/Repair-Your-Cracked-Basement-Foundation-1.jpg

 

Durante sua confecção, tintas, estuco, argila, gesso, impermeabilizantes e principalmente argamassas e concretos podem ter sérios problemas de cura, hidratação e exsudação em climas frios caso não sejam designados e aditivados para tal condição.

 

Faça sol ou faça frio, a concretagem não pode parar...
Fonte: https://static.concretenetwork.com/photo-gallery/images/550x412Exact_0x4/site_26/medeba-adventure-learning-center_2920.jpg

 

Mesmo após curados, se a água entrar em seus poros e congelar, pode haver degradação, perca de aderência, desplacamento, e falhas graves... Por isso a impermeabilidade e baixa capilaridade é quase mandatória nestes casos.

 



Exemplo de rodovia, com sua capa de asfalto detonada pela "gelividade".
Fonte: http://www.pavementinteractive.org/wp-content/uploads/2006/11/SR_20_Freeze_Thawing_1.jpg

 

Caixas d’águas, reservatórios, ETEs, podem sofrer problemas estruturais, de perca de controle de nível e de deterioração completa da camada berço e de impermeabilização.

 

Reservatórios podem ter sérios danos se expostos à "gelividade".
Fonte: https://iadsb.tmgrup.com.tr/16d315/0/0/0/0/0/0?u=https://idsb.tmgrup.com.tr/gallery/nation/frozen-water-tank-in-eastern-turkey-appears-as-ice-tower/2.jpg&mw=1600

 

Como evitar este problema?

 

Caso sua construção esteja em locais com clima frio, algumas providências extras deverão ser toamdas:

 

-Tenha um projeto e especificação da obra ou reforma feito por um profissional capacitado e legalmente habilitado, engenheiro(a).

-Este profissional é responsável e deve especificar a impermeabilização a ser aplicada em todos os locais que necessitem dela, seguindo as diretrizaes das NBR 9574 e 9575.

-A preparação, escolha, aplicação e manutenção do sistema impermebailizante devem ser compatíveis entre si.

-O produto impermeabilizante escolhido, deve ser apto à trabalhar nestas condições de clima frio, de acordo com as especificações do fabricante, testes laboratoriais e aplicabilidade de normas vigentes pertinentes.

 

Projeto, produto impermeabilizante apto ao frio, conhecimento e mão de obra capacitada, são fatores indispensáveis.
Fonte: https://www.google.com/imgres?imgurl=https%3A%2F%2Fqph.fs.quoracdn.net%2Fmain-qimg-d816295aa8601c3735b296a162f79c30&imgrefurl=https%3A%2F%2Fwww.quora.com%2FWhat-will-be-the-best-engineering-project&docid=eCL5LcyvalIm8M&tbnid=oI4b3oto0KfhnM%3A&vet=10ahUKEwiS-ZfU9L7jAhWGJLkGHRIuDmkQMwhFKAIwAg..i&w=509&h=294&bih=755&biw=1536&q=project%20engineering&ved=0ahUKEwiS-ZfU9L7jAhWGJLkGHRIuDmkQMwhFKAIwAg&iact=mrc&uact=8

 

03 de Julho de 2019. Thiago Vallotti de Freitas. Engenheiro Sócio da Imperplus